Medir a glicose por meio do suor ainda é ficção

É tentador imaginar uma tecnologia capaz de medir a glicose de forma cada vez menos invasiva, sem agulhas, sem sensores subcutâneos e com total conforto para o paciente. Nos últimos meses, surgiram rumores nas redes sociais e em alguns sites de tecnologia sobre um suposto departamento de saúde da Samsung que estaria desenvolvendo um patch capaz de medir a glicose por meio do suor, o que, naturalmente, despertou grande interesse e expectativa.

No entanto, do ponto de vista científico e fisiológico, a medição da glicose pelo suor apresenta limitações importantes. A concentração de glicose no suor é muito menor e extremamente variável, sofre influência direta de fatores como hidratação, temperatura, estresse, atividade física, taxa de sudorese e até resíduos na pele. Além disso, não existe uma correlação direta, linear e confiável entre a glicose no suor e a glicemia sanguínea, o que compromete a precisão necessária para decisões clínicas. Soma-se a isso o atraso fisiológico ainda maior em relação ao sangue, tornando a detecção de picos glicêmicos e hipoglicemias especialmente insegura.