26 de junho: Dia Nacional do Diabetes
Ao analisar estudos e levantamentos sobre o tema, Sociedade Brasileira de Diabetes faz um panorama do que ocorre em diversas regiões do país
Apesar de o Brasil ter um sistema de saúde universal, o risco para quem tem diabetes depende de onde a pessoa nasce ou vive. Esta conclusão é resultado de análise de dados de diversos estudos e levantamentos oficiais feito pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). “A desigualdade é marcante, de acordo com os números encontrados”, explica Dra. Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública, Epidemiologia, Economia da Saúde e Advocacy da Sociedade Brasileira de Diabetes. Dr. João Salles, presidente da SBD, enfatiza que a luta da entidade é para reduzir cada vez mais essas diferenças. “Queremos que todos tenham acesso tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento”, explica. “Por isso, estamos empenhados em levar conhecimento aos profissionais da atenção primária à saúde em conjunto com o Ministério da Saúde.”
O número de mortes prematuras relacionadas ao diabetes, por exemplo, na faixa de 30 a 69 anos, é maior no Nordeste. Nesta região, são registradas 34,4 mortes por 100 mil habitantes. Já na região Sul o número cai para 20,4, o que evidencia as diferenças regionais. A maioria das mortes é causada por problemas cardiovasculares, um dos problemas causados pelo diabetes.
Ao analisar dados sobre amputações de dedos, pés e pernas causadas por complicações em razão do diabetes, os números também evidenciam essa disparidade. “No total, 42% das amputações no Brasil ocorrem na região Sudeste, refletindo a alta demanda e concentração de centros de referência”, explica dra. Bianca. A médica diz ainda que, de 2012 a 2021, o número de amputações cresceu 173% em Alagoas, 160% em Roraima e 146% no Ceará. “As amputações evidenciam iniquidades no acesso oportuno ao diagnóstico e seguimento do tratamento, especialmente em regiões com vazios assistenciais especializado e preventivo”, diz dra. Bianca.
De acordo com o levantamento, o acesso a exames diagnósticos e procedimentos especializados no SUS é marcado por uma forte concentração em polos urbanos desenvolvidos. “As populações fora dos centros metropolitanos enfrentam obstáculos persistentes, como as longas distâncias até unidades de referência, a escassez de serviços de saúde especializados, o atraso no diagnóstico e fragmentação do cuidado”, afirma dra. Bianca. “Tudo isso leva à menor continuidade e adesão ao tratamento.”
Acesso e adesão a medicamentos no diabetes (PNAUM – Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos 2016)
| ACESSO TOTAL POR REGIÃO | ||
| Região | Acesso (%) | IC 95% |
| Norte | 97,3 | 94,7 – 98,6 |
| Nordeste | 97,9 | 95,7 – 99,0 |
| Sudeste | 97,9 | 95,3 – 99,1 |
| Sul | 97,7 | 94,5 – 99,0 |
| Centro-Oeste | 97,3 | 94,9 – 98,5 |
| ADESÃO POR REGIÃO | ||
| Região | Provável Adesão | Baixa Adesão |
| Norte | 73,7 | 12,2 |
| Nordeste | 68,2 | 16,2 |
| Sudeste | 73,4 | 17,1 |
| Sul | 67,4 | 23 |
| Centro-Oeste | 65,8 | 11,1 |
Fatores de risco e proteção
As 5 cidades com maior e menor percentual de Obesidade e consumo de FVL (frutas, verduras e legumes) – Vigitel 2023
| Maiores % | % | Menores | % |
| Macapá | 30,4 | Goiânia | 17,7 |
| Porto Alegre | 28,3 | São Luís | 18,5 |
| Fortaleza | 27,7 | Vitória | 19 |
| Cuiabá | 27,2 | Palmas | 19 |
| Campo Grande | 27 | Belo Horizonte | 20,7 |
| Consumo Recomendado (≥5 porções, 5 dias da semana) | |||
| Maiores | % | Menores | % |
| Florianópolis | 27,5 | Rio Branco | 10,9 |
| Belo Horizonte | 26,8 | Belém | 12,6 |
| Vitória | 26,4 | Salvador | 13,3 |
| São Paulo | 25,7 | Porto Velho | 13,9 |
| Curitiba | 25,3 | Fortaleza | 15,1 |
Prevalência de diabetes nas capitais – Vigitel 2023
| Maiores prevalências | Menores prevalências | ||
| Capital/DF | % | Capitais/DF | % |
| São Paulo | 12,1 | Rio Branco | 5,6 |
| Distrito Federal | 12,1 | São Luís | 6 |
| Porto Alegre | 12 | Porto Velho | 6,6 |
| Natal | 11,8 | Belém | 6,9 |
| Fortaleza | 11,6 | Boa Vista | 6,9 |
Mais informações:
GBR Comunicação
Rose Guirro – [email protected]