O assunto do momento é os possíveis malefícios (ou não) causados pelo uso do paracetamol (conhecido pelo nome comercial de Tylenol). Saindo do tema do seu uso durante a gestação e a questão do autismo, a pergunta que surgiu foi: existe alguma relação entre essa medicação e o diabetes?
Pensando no uso desse analgésico como fator de risco para o surgimento do diabetes tipo 2, uma pesquisa do Reino Unido, comparando grupos de indivíduos que usavam paracetamol ou ibuprofeno, demostrou que usuários do paracetamol tiveram maior risco de desenvolver a doença. Porém, a análise do fator genético não mostrou a mesma correlação e, por ser um estudo prospectivo, esses dados não representam causalidade.
Outra interação entre o diabetes e o paracetamol pode ocorrer em pacientes que fazem uso de sensores de glicose intersticial (acoplados ou não a um dispositivo automático de insulina). Alguns sensores podem sofrer interferências de leituras com o uso de algumas medicações e vitaminas, incluindo o paracetamol. Além do analgésico, aspirina, hidroxiuréia e vitamina C podem reduzir a acurácia do aparelho, refletindo em falsos aumentos nos valores da glicose. Portanto, fique atento!
Na sua bula, a única mensagem de atenção para pacientes com diabetes é que o comprimido de paracetamol contém uma pequena quantidade de açúcar. Por tudo isso, vale reforçar a importância de sempre falar para o seu médico de todas as medicações que você faz uso. E, para finalizar, o primeiro caso de autismo no mundo foi relatado no ano de 1911 e o paracetamol começou a ser comercializado nos anos 50.