No diabetes, o problema nunca foi só “o que comer”, mas também como e em que contexto se come. Isso porque comer não é apenas ingerir nutrientes, é um misto de cultura, percepção de fome e saciedade, emoções relacionadas à comida e ambiente.
No dia internacional sem dieta, o Departamento de Nutrição mostra algumas ferramentas práticas para o manejo do comportamento alimentar que ajudam na adesão ao planejamento nutricional.
1. Diário alimentar
Deve incluir informações como glicemia pré e pós-prandial, uso de insulina/medicação, percepção de fome e saciedade, sentimentos antes e depois de comer, além do contexto (ex: onde, com quem).
➡️ A análise do profissional deve ser com curiosidade e não julgamento.
2. Entrevista motivacional
Trocar ❌ “Você deve fazer…”
por ✔️ “Vamos pensar juntos o que faz sentido pra você mudar agora?”
➡️ Pessoas tendem a mudar comportamento quando a decisão é delas.
3. Trabalhar a ambivalência
“Eu quero mudar, mas é difícil…”
✔️ Explorar: ganhos e perdas na mudança de comportamento alimentar, além de barreiras reais.
➡️Isso reduz a resistência à mudança e aumenta a adesão ao planejamento nutricional.
4. Escala de fome e saciedade e treino de comer com atenção plena
Nem toda fome é física e a alimentação não é só sobre nutrientes.
➡️ Comer com atenção plena melhora a percepção de saciedade e a relação com a comida.
5. Balança decisória
- O que eu ganho e perco se mudar?
- O que eu ganho e perco se NÃO mudar?
➡️ A clareza dos ganhos e vantagens aumenta o engajamento na mudança de comportamento alimentar.
6. Diferenciar necessidade vs expectativa
❌ “Nunca mais comer bolo”
✔️ “Aprender a comer com estratégia em momentos sociais”
➡️ Flexibilidade sustenta o tratamento no longo prazo e nisso a estratégia de contagem de carboidratos ajuda muito!
7. Ressignificar o papel da alimentação
Comida não é só impacto na glicemia. Também é prazer, cultura, memória e regulação emocional.
➡️ Ignorar isso é reduzir a adesão!
⚠️ Por que isso importa?
- Dietas muito rígidas aumentam a culpa e a chance de compulsão alimentar.
- A adesão depende de reforçadores no curto prazo, como elogios de profissionais e familiares e sensação de autonomia.
- O melhor plano é o que o paciente consegue aderir e sustentar.
➡️No diabetes, sair do modelo de controle rígido e entrar no modelo de autonomia, consciência e construção conjunta faz a diferença nos resultados.


