O impacto de uma intervenção nutricional no controle glicêmico e nos marcadores de risco cardiovascular em pacientes com diabetes tipo 2 (DM2)

26/04 –DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO E COMBATE À HIPERTENSÃO ARTERIAL
Artigo comentado: 
Minari TP, Manzano CF, Tácito LHB, Yugar LBT et al. The Impact of a Nutritional Intervention on Glycemic Control and Cardiovascular Risk Markers in Type 2 Diabetes. Nutrients 2024, 16, 1378

O manejo nutricional desempenha um papel crucial no tratamento de pacientes com DM2 e nos parâmetros de risco de doença cardiovascular, e diferentes padrões de dieta podem nortear este manejo. A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) incentiva o consumo de nutrientes como potássio, cálcio, magnésio e fibras além da redução do consumo de sódio, com foco na prevenção e controle da hipertensão arterial sistêmica. Assim como a dieta mediterrânea, este padrão de dieta prioriza aumentar o consumo de frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios com baixo teor de gordura e proteínas magras, bem como a redução do consumo de gorduras saturadas e açúcares. 

O estudo intitulado: “The Impact of a Nutritional Intervention on Glycemic Control and Cardiovascular Risk Markers in Type 2 Diabetes” teve como objetivo avaliar os efeitos de intervenções nutricionais individualizadas baseadas na  dieta DASH e mediterrânea adaptadas à população brasileira nas variáveis peso, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), relação cintura-quadril (RCQ), glicemia de jejum (GJ), hemoglobina glicada (HbA1c), colesterol total (CT), colesterol LDL (LDL-C), colesterol HDL (HDL-C), triglicerídeos (TG), pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAD) e frequência cardíaca (FC), ao longo de 12 meses e posteriormente no acompanhamento de 15 meses. 

Trata-se de um estudo longitudinal que recrutou 84 participantes sedentários com DM2, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 80 anos. Os indivíduos foram alocados dois grupos: um grupo controle (n=40), que recebeu somente acompanhamento médico,  e um grupo de intervenção (n=44), que recebeu o mesmo atendimento médico associado à intervenção nutricional. As consultas ocorreram trimestralmente, com seis a nove pacientes por sessão. Durante os 15 meses subsequentes, o grupo intervenção passou a receber apenas acompanhamento médico. 

Os resultados encontrados pelos autores foram extremamente interessantes: O planejamento alimentar baseado nas dietas DASH/Mediterrânea, adaptadas aos alimentos e à cultura socioeconômica brasileira, resultou em reduções significativas nos 12 meses de intervenção para todos os parâmetros (p<0,05), exceto para CT, além de aumento no HDL-C (p = 0,0105). No grupo controle, observou-se um aumento significativo em HbA1c, peso, IMC, GJ e RCQ (p<0,05) no mesmo período. Na comparação entre os grupos, houve diferença significativa favorável para o grupo intervenção para todos os parâmetros analisados ​​(p<0,05), do primeiro ao décimo segundo mês. No acompanhamento o resultado foi o mesmo (p<0,05), com exceção do IMC. 

A conclusão do estudo em questão é que uma intervenção nutricional baseada do padrão DASH/mediterrânea, adaptada para cultura alimentar brasileira e nível socioeconômico dos participantes, melhorou os hábitos alimentares, marcadores antropométricos, controle glicêmico e marcadores de risco cardiovascular em pacientes com DM2 ao longo de 12 meses, com resultados sustentados durante o acompanhamento de 15 meses após a intervenção.  

Este estudo reforça a importância da promoção destes padrões de dieta, além de evidenciar a viabilidade de sua adaptação à realidade brasileira e às condições socioeconômicas dos nossos pacientes.

Escrito por:
Leticia Campos
Departamento de Nutrição da SBD