Os 7 Comportamentos do Autocuidado

Você já ouviu falar dos 7 Comportamentos do Autocuidado? Trata-se de uma ferramenta baseada em evidências, definida pela Associação Americana de Educadores em Diabetes, que estabelece quais os pontos de atenção e habilidades que quem tem diabetes deve buscar desenvolver, visando não só o alcance de um bom controle glicêmico mas também, uma melhor convivência com essa condição clínica.

Entende-se como autocuidado o conjunto de ações que cada indivíduo exerce para cuidar de si e assim, promover melhor qualidade de vida e bem estar para si próprio. No diabetes, o autocuidado é reconhecido como base central para um tratamento efetivo, onde a pessoa com diabetes é a protagonista do cuidado, ao lado de uma equipe de saúde que atue como facilitadora em todo o processo. Por isso, conhecer e entender os 7 comportamentos do autocuidado, faz toda a diferença. São eles:

Adaptado de American Association of Diabetes Educators, 2021 (referência 1)

COMER SAUDAVELMENTE

Uma alimentação saudável é essencial para o bom funcionamento do organismo, para a promoção da saúde e bem-estar geral. Deve garantir variedade, equilíbrio entre qualidade, quantidade e segurança dos alimentos a serem ingeridos. Os alimentos in natura e/ou minimamente processados devem ser priorizados e assim, compor a base da alimentação. Já os alimentos ultraprocessados devem ser evitados, conforme preconizado pelo Guia Alimentar da População Brasileira.

Com relação às quantidades, essas são individualizadas e dependem de vários fatores como idade, sexo, estado nutricional, grau de atividade física e outros fatores. Mas, é possível saber como elaborar uma refeição balanceada, a partir dos princípios do PRATO SAUDÁVEL:

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2020 (referência 4)

PRATICAR ATIVIDADE FÍSICA

Os benefícios da atividade física, são muitos – a começar por melhorar o controle metabólico do diabetes, já que aumenta a captação de glicose e reduz a resistência à insulina (ou seja, o hormônio funciona melhor). Exercícios também ajudam a controlar o peso e proteger o coração. Sem contar que praticar atividade física regular pode fortalecer o sistema imunológico e traz benefícios psico-afetivos, reduzindo risco de depressão e outras condições impactantes à saúde mental.

Algumas dicas:

  • Escolha uma atividade física que seja agradável e prazerosa para você. Seja caminhar, andar de bicicleta, dançar, nadar, entre outros. A inclusão de atividades prazerosas está associada a maior regularidade e constância de realização, ou seja, é mais provável que você inicie e continue fazendo;
  • Comece devagar: comece com 5 a 10 minutos da atividade por dia, e vá aumentando a duração e a intensidade aos poucos. Você pode começar, por exemplo, subindo escadas, passeando com cachorro, cuidando do jardim…
  • Caso prefira, exercite-se em grupos ou com alguma companhia. Fazer atividade com algum amigo pode ajudar a adesão e manutenção da rotina;
  • Mantenha-se bem hidratado: capriche no consumo de água durante o dia;
  • Lembre-se da importância da monitorização: sempre que possível, especialmente se você faz uso de insulina, verifique a sua glicemia antes e após o exercício.

Para saber mais sobre diabetes e exercício, acesse: https://diabetes.org.br/atividade-fisica/#

VIGIAR AS TAXAS

Os resultados obtidos na prática da Monitoração da Glicemia, através das tiras reagentes e glicosímetros ou na Monitorização da Glicose através dos sensores de glicose intersticial, são essenciais e indispensáveis para o bom gerenciamento do tratamento. É através da monitoração que você saberá se está atingindo as metas de tratamento recomendadas e assim, favorecer a prevenção de complicações agudas e crônicas.

Você sabe qual a sua meta glicêmica? Converse com a equipe que te acompanha para conhecer mais sobre as suas metas, com que frequência você deve realizar a monitorização, entre outros. As informações obtidas através do monitoramento:

  • Ajudam a compreender como as diferentes combinações alimentares impactam as suas taxas de açúcar do sangue;
  • Auxiliam na verificação sobre a efetividade dos seus medicamentos, permitindo que a equipe médica ajuste doses e tipos de medicações utilizadas;
  • Reduz o risco de hipoglicemias e hiperglicemias.

Destaca-se que, o registro desses valores, tal como a realização de exames bioquímicos conforme solicitação da equipe de saúde integra esse comportamento do autocuidado.

TOMAR MEDICAMENTOS

Compreender e administrar o uso dos seus medicamentos com responsabilidade, conforme a prescrição médica, é uma atitude essencial no autocuidado do diabetes. Fique atento às seguintes questões:

  • Posologia da medicação prescrita, tal como horários e frequência que você deve tomá-la;
  • A medicação deve ser consumida em jejum? Deve ser administrada juntamente com algum alimento?
  • Conhecer como o medicamento funciona no organismo e o porquê desse ter sido prescrito. Isso porque, quando compreendemos os porquês, fica mais fácil aderir à uma adequada tomada de decisão (lembre-se sempre de conversar com o médico prescritor sobre essas questões);
  • Ficar atento a possíveis efeitos colaterais e, caso esses sejam vivenciados, relatar à equipe médica;
  • Como armazenar o medicamento para garantir a sua eficácia;
  • Em caso de esquecimento ou atraso na sua administração da medicação, como proceder?

Se você usa insulina, lembre-se sempre de conservar corretamente frascos ou canetas de insulina, de fazer a homogeneização/mistura no caso de usar NPH, a higienização adequada, o rodízio do local de aplicação, de não reutilizar agulhas e seringas e de descartá-las em local apropriado.

RESOLVER PROBLEMAS

Pensar e agir na prevenção, tal como no tratamento adequado de situações como hiperglicemia como hipoglicemia, faz toda a diferença para um bom controle do diabetes.

Algumas possíveis causas de HIPOGLICEMIA:

  • Erro na contagem de carboidratos;
  • Pular ou alterar o horário de refeição;
  • Atividade Física não programada e fora do padrão habitual;
  • Uso de bebida alcoólica;
  • Excesso de medicamento (rever dosagens com sua equipe).

Saiba mais sobre como tratar corretamente a hipoglicemia: https://diabetes.org.br/hipoglicemia-qual-a-melhor-forma-de-corrigir/

REDUZIR OS RISCOS

Reduzir riscos significa praticar comportamentos que previnam ou minimizem complicações e resultados negativos relacionados ao diabetes. Exemplos desses comportamentos incluem fazer mudanças positivas no estilo de vida, participar de um programa de educação e de controle do diabetes. Devemos estar em dia com os exames laboratoriais e complementares (hemoglobina glicada, níveis de colesterol, avaliação da função renal e fundo de olho), avaliação clínica e aspectos emocionais (4).

ADAPTAR-SE SAUDAVELMENTE

Saber como agir em situações especiais como viagens, festas, doenças intercorrentes (ex. infecções e outras situações clínicas que impactar a glicemia, etc) e importantíssimo. Buscar informações e alternativas para adaptar-se às diferentes situações, beneficiando o controle glicêmico e auto-eficácia, favorece o enfrentamente dos desafios do diabetes.

O cuidado com a saúde física e mental é essencial, além de contar com uma rede de apoio, é um grande diferencial em uma adaptação saudável e boa convivência com o diabetes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. American Association of Diabetes Educators. Sci Diabetes Self Manag Care. 2021 Feb;47(1):30-53. doi: 10.1177/0145721720978154
  2. American Diabetes Association. Diabetes Care. 2022;45 (Suppl 1):S60-S82
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília : Ministério da Saúde, 2014.
  4. Sociedade Brasileira de Diabetes. Autocuidado e Diabetes em tempos de Covid-19. 2020. Disponível em https://materiais.diabetes.org.br/e-book-autocuidado (acesso em 10 de julho de 2022)
  5. Sociedade Brasileira de Diabetes. Educação em diabetes mellitus. In: Diretrizes SBD 2019-2020. Rio de Janeiro: Clannad, 2019.
Dra. Maristela Strufaldi
  • Nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo;
  • Mestre em Ciências (Endocrinologia Clínica) pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP);
  • Especialização em Saúde da Mulher e em Nutrição Esportiva e Obesidade pela Universidade de São Paulo (USP);
  • Educadora em Diabetes (IDF-SACA/ADJ/SBD);
  • Membro dos Departamentos de Nutrição e de Educação da Sociedade Brasileira de Diabetes (gestão 2022 -2023).